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Tropa de Elite 2 - O inimigo agora é outro!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Foto: Divulgação

Aviso: Esta crônica é baseada em uma obra de ficção, quaisquer semelhanças com a realidade são meras coincidências.


Ao término do filme, algo curioso aconteceu no cinema, um silêncio atípico se instaurou no ambiente, diferentemente do habitual burburinho de pessoas a conversar. O mesmo silêncio de quando se descobre uma verdade incontestável, daquelas que caem como um baque. Como se olhassem no espelho e enxergassem a realidade que sempre esteve à frente dos olhos.
No decorrer do filme essa verdade foi estampada, demonstrada violentamente, e totalmente nua e crua foi descendo goela abaixo.
Deixem que os entendidos de cinema digam: “É só isso que eles mostram do Brasil mesmo, violência”, ou então, “Isso não vai mudar nada”.
Porém, essa critica não será esquecida. O efeito que o jornalista/diretor causou, escancarando e enfrentando a politicagem, o governo, a policia e a nossa própria corrupção, será permanente na consciência do telespectador.
Somos um país onde reina a corrupção, a violência, onde cada um de nós é um refém do sistema. Quem sabe seja preciso uma ficção e vários capitães nascimentos para nos fazer enxergar o que sempre esteve ali, à nossa frente.




Declaração!

terça-feira, 30 de março de 2010
Ouviu sussurros surdos, que vinham das paredes sóbrias daquele ambiente onde a vida era desenhada, uma comoda realidade lhe incomodava.
Se acostumou a ajoelhar-se como um servo a todas as ordens que o impuseram, trancou suas opiniões num lugar só seu, onde só ele conhecia, guardou a si, para si mesmo. A criança havia ajoelhado no canto de uma sala, recebia chibatadas por ser quem era, por amar o que e quem amava, uma lágrima escorria por seu rosto infantil, as paredes e o této pareciam comprimir à retirar o seu ultimo suspiro, o espaço parecia ficar cada vez menor.
Ajoelhou, pela ultima vez, e não era um servo que ajoelhara, mas um rei que se levantava, sua alma estava de pé iluminada como uma mãe dando a luz, altiva como raios de sol.
Fitou seu carrasco nos olhos, o olhar que penetrou no âmago fez fraquejar as mãos e deixou cair o chicote, ao se amedrontar diante dessa luz que brilhava em seus olhos, e tomar consciência de que açoitava a si próprio. Os duros castigos que recebia foram imputados por ele mesmo. E ao perceber que era muito melhor do que jamais imaginara, riu feito criança, a mesma que trancara dentro de si anos atrás e, que um dia esteve ajoelhada num canto de uma sala dentro de si.

Guilherme Diogo Rodrigues.

O homem da cartola

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sentado em uma praça da cidade, o homem da cartola, olhava para dentro de si. Via o tudo e nada ao mesmo tempo. Enxergava sempre a mesma visão, sempre o mesmo ângulo. nunca mudava sua direção. O olhar que lhe restou era o mesmo questionador e profundo, o mesmo que usara no auge da vida, o mesmo, mas diferente do olhar vivo que olhara o mundo por trás do par de óculos meio retorcidos. Seus óculos eram vazados, assim como o seu interior, suas vestes estavam comidas pelo tempo e usava uma gravata que mais parecia um nó de forca.
Trazia consigo, um cavanhaque bem cortado e um bigode espesso, nem um pelo estava fora do contexto, tirando os fios de costura dourados que escapavam de sua cartola, iluminados por uma consciência que um dia existiu e já foi uma verdade.
O elmo que usava, a cartola, deixava à mostra as marcas de uma vida invivida, rugas que insistiam a aumentar nos traços de sua expressão estática.
Estampando na face a incógnita que padeceu de solução: O que é mesmo que se deu?.
Perguntando-se, quando perdera a sua efémera realidade, não se lembrava se havia sido entre o caminho de sua casa até a praça ou se dentro da sua cartola.
Por ele , passavam pedestres que nem o notavam ou o já estavam cansados de vê-lo sempre ali cogitando a sua realidade.
Um pombo pousava sobre a sua cartola, arrulhando, limpava suas asas e retirava alguns piolhos que incomodavam. Enquanto isso, o homem continuava parado na posição de sempre, não mexia nem um músculo, apenas seguia o seu papel de representação, de vida que um dia existiu, continuando a ser uma estátua em uma praça da cidade.
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Guilherme Diogo Rodrigues.

Passos!

quarta-feira, 24 de março de 2010
Voltava para casa após um dia estafante de trabalho, os últimos raios de sol já a abandonavam, o breu na noite tomara por completo o seu cansativo e conhecido caminho.
Andava distraída, como se não desse muita importância, chutava as pedras que paravam a frente do seu velho e surrado ténis.
Um pensamento havia fisgado a sua atenção e, dela não desgrudaria por nada nesse mundo.Pensava, como era possível que em uma noite quente como aquela, as ruas se encontrassem tão vazias, simplesmente inimaginável que o caminho em direção a parte mais periférica da cidade, o lugar onde residia, podia estar tão vazio e sem vida. Não se ouvia risos e vozes de crianças, nenhuma sequer para contar historia, nem vizinhos fuxiqueiros sentados à porta de casa a cuidar da vida dos passantes, nem sequer os passantes. Somente ela, a única terrestre na face da terra.
Sentia a solidão fisicamente, as passadas eram dadas com dificuldade, o ar era rarefeito e já lhe faltava. Começou a imaginar passos a seguir o seu caminho.Será mesmo só imaginação, perguntava a jovem. Desconfia de si mesmo e de suas intenções, ainda continuava a ouvir os passos, cada vez mais perto. O simples ato que acabaria com o seu sofrimento, arrepiava-lhe, sentia um calafrio gélido e nauseado só de pensar em olhar pra trás.
Tomou a decisão, acelerou o passo e cortou caminho por ruas diferentes,becos e vielas sombrias,onde até um rato teria medo de revirar o lixo.
Quanto mais acelerava o passo, mais continuava a ouvi-los, corria como nunca antes correra em toda a sua vida.
Da esquina, avistou o portão de sua casa,já com tinta a descascar de cor alaranjada, deixando escapar a camada contra ferrugem, um portão tão comum, mas único aos seus olhos.
E ao chegar, mal conseguia colocar as chaves na fechadura, colocou-a quase quebrando, entrou em casa e sentiu um alivio, momentâneo, pois percebeu que o passos ainda a seguiam, iam pra onde ela fosse, olhou para o lado, olhou pra trás e nada via, a única coisa que viu e ouvi, foi a barra de sua calça cumprida demais, seguindo passo a passo o seu caminho.