Dilúvio de chuveiro

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Sob o dilúvio do chuveiro
Água e lágrimas se confundem
Na arca das emoções
Tornam-se um só, fundem-se
Em nó, no escorrer de água salgada,
Derramada pelo olhar do herói
De faz de conta que vive.
De cima, o chuveiro observa,
Feito um anjo, contemplando
A beleza e a tristeza de um mortal
Em gotejar tão intenso.
Sem poder chorar,
O chuveiro desagua o lacrimar
....................[ que lhe cabe.
Lavando corpo e alma
Do herói em naufrágios interiores.

Guilherme Diogo Rodrigues.

REALIDADE$.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Duas realidades distintas
Misturadas num caderno,
Cifrões e paixões em papel
.........................[terno.
A essência quase extinta


Escrita num caderno de contas,
Caderno de faz de contas
Ao lado do rentável acinzentado
Em desenhar amassado,
Má-tematicamente comprimi
.....................[ emoções.



Lucidamente encadernado
Na loucura das oposições.







Guilherme Diogo Rodrigues.

Poesia em faces.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O poeta apaixonado pela lua
Contempla sua dama da noite
De braços dados à solidão
Refletida nas faces da amada,
Minguando sua humilde carência
em versos cheios de brilho.
E do alto do esplendor, a lua
Sorri, tímida e faceira entre
............................[nuvens.

Guilherme Diogo Rodrigues.

Segredos de lençóis!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

O incêndio mais lindo,
No encontro de dois corpos.
E suas chamas interiores.
Chamas que não queimam.
Em um calor extasiado
Revelando segredos
de lençóis lumeados.
Inflamados ao néctar
Do desejo e de prazeres
................[insaciados!




Guilherme Diogo Rodrigues.
Do alto da sua visão viciada
Vivenciada no quadrado
De uma vida vulgar,
Cheias de vociferações tórpedas.
Ainda há espaço para as virtudes?
Para enxergar além do que se vê?
A verve que ainda vive
No visconde esquecido de outrora,
em verdade corrida nas veias
Do visionário desprezado,
Relegado ao bônus e ao ônus
De viver, sob o véu
Da versificação voluntária!!



Guilherme Diogo Rodrigues.

Dica de vídeo!

sábado, 20 de fevereiro de 2010
Nossa, galera, descobri um vídeo através do Twitter.Uma animação muito interessante sobre a musica do Teatro Mágico, cidadão de papelão.
Infelizmente o vídeo tem apenas 147 visitas. A arte as vezes passa despercebida nesse mundo de futilidades, infelizmente!
Confiram e divulguem!

"Olhar de um passageiro."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Dentro do trem observo o mundo
Viajo no devorar de palavras.
Vejo árvores correndo do horizonte,
fugindo da monotonia cotidiana.
Há pessoas a mergulhar musicalmente.
Algumas a embarcam sem olhar
No diminuto mundo enlatado.
Outras a iluminar a estação
Com olhares d´agua, intensos.
Marejados através da janelas
molhadas pelo pingar da chuva.
Esses olhos, olhos de luz
entre o vai e vem dos meus trens,
São as luzes no fim do túnel.
Guilherme Diogo Rodrigues.

Meninas dos olhos!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
As meninas dos olhos
São sem horas de acontecer,
Lindas e tristonhas
Poesias do amanhecer,
São dilúvios interiores
Transbordando a alma
De prazeres e cores
Nos tomam sorrateiras
Ao canto da inocente pureza
Fugindo ao olhar viciado,
Brotando no olhar do poeta.


Guilherme Diogo Rodrigues.

"Versos despretensiosos"

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Versos despretensiosos
Ah, como eu os amo!
Pequenas frases soltas
Desprovidas de métrica
Pescadas ao acaso
Nadando no redemoinho
..................[ de ideias.
Penetrando surdamente
O sub consciente do poeta
Universos inexplorados,
O unir de versos poéticos
Em fábulas do redondilhar,
Gracejando o esconde esconde
Na criatividade enredada.
A estrofe perfeita, brinca,
De ser verso despretensioso.



Guilherme Diogo Rodrigues.




"A boneca de porcelana"

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Com seu corpo de manequim
Oco, com interior consumido
Pelo tempo que se perdeu,
Tempo por ela desprezado.
Do alto do seu pedestal
Cegamente aprisionada,
Culpada de ser vitima e mandante
Da juventude apática
E experimentações distorcidas
Na frivolidade do momento
Não vive, vegeta o medo
Exprime o preconceito.
Com seu olhar vítreo
Enxerga, ultrajada pela vitrine,
A monocromia dos seus sonhos.



Guilherme Diogo Rodrigues.

"A derradeira caixa."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Havia uma caixa sobre a mesa.
No interior eu via os meus sonhos
E a minha efémera paganidade.
O sonhador de outrora,
Sonhando com o a realidade
Dos sonhos vividos e só sonhados
Na caixa registradora das minhas ilusões,
Essa, que não mais pulsava!
Por ela, as minhas fraquezas mortais
Restavam expostas como cordéis
Com um cravo sobre o peito.
E gravado no epitáfio, estava:
Aqui jás a derradeira caixa do sonhador.



Guilherme Diogo Rodrigues.

"O Grito do Silencio."

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Surdamente, o silente
Num ponto da madrugada,
Sozinho com os pensamentos,
Torna audível o mais leve dos
........................[Sussuros.
Expõe o pinga pinga de uma
.................[ Torneira solitária.
Brada o suspiro sufocante.
Comprimindo o peito
Esganando nossos gargalos
É um grito silencioso preso
..................[na garrafa...



Guilherme Diogo Rodrigues.


Para Ericka Moraes.