O homem da cartola

sexta-feira, 26 de março de 2010

Sentado em uma praça da cidade, o homem da cartola, olhava para dentro de si. Via o tudo e nada ao mesmo tempo. Enxergava sempre a mesma visão, sempre o mesmo ângulo. nunca mudava sua direção. O olhar que lhe restou era o mesmo questionador e profundo, o mesmo que usara no auge da vida, o mesmo, mas diferente do olhar vivo que olhara o mundo por trás do par de óculos meio retorcidos. Seus óculos eram vazados, assim como o seu interior, suas vestes estavam comidas pelo tempo e usava uma gravata que mais parecia um nó de forca.
Trazia consigo, um cavanhaque bem cortado e um bigode espesso, nem um pelo estava fora do contexto, tirando os fios de costura dourados que escapavam de sua cartola, iluminados por uma consciência que um dia existiu e já foi uma verdade.
O elmo que usava, a cartola, deixava à mostra as marcas de uma vida invivida, rugas que insistiam a aumentar nos traços de sua expressão estática.
Estampando na face a incógnita que padeceu de solução: O que é mesmo que se deu?.
Perguntando-se, quando perdera a sua efémera realidade, não se lembrava se havia sido entre o caminho de sua casa até a praça ou se dentro da sua cartola.
Por ele , passavam pedestres que nem o notavam ou o já estavam cansados de vê-lo sempre ali cogitando a sua realidade.
Um pombo pousava sobre a sua cartola, arrulhando, limpava suas asas e retirava alguns piolhos que incomodavam. Enquanto isso, o homem continuava parado na posição de sempre, não mexia nem um músculo, apenas seguia o seu papel de representação, de vida que um dia existiu, continuando a ser uma estátua em uma praça da cidade.
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Guilherme Diogo Rodrigues.

6 comentários:

Rafaela disse...

Bom demais *-*

Acho que todos nós somos um pouco desse Homem da Cartola.
De uma maneira ou de outra, ficamos parados, muitas vezes, vendo a vida passar sem tomarmos atitudes, sem movermos um musculo mesmo para conseguir aquilo que queremos. Muitas vezes deixamos de fazer coisas por medo ou algo do tipo... E quando percebemos, pronto, o tempo passou...


Gostaria de deixar um trecho de um texto que li no blog "Sensei que nada sei" escrito pelo Rodrigo C. Felipe... Acho que tem um pouco a ver com esse que você escreveu Gui *-*
"Risco de não conseguir; risco de perder boa parte da vida; risco de deixar de viver sua vida para ficar ao encalço do outro. O que fazer? Só consigo pensar em uma resposta: se você é incapaz de deixar o outro ir... busque! Mas fique ciente que esta decisão é somente sua. Se der errado, não culpe o destino. Não culpe o outro. Você tomou a decisão. Arque com as consequências dela. Se der certo, prove ao mundo como vale a pena lutar por algo que parecia totalmente perdido."
Vale a pena conferir o texto inteiro ;)


Então...muito bom mesmo Gui...
Pode continuar com os textos.

Beeijos *-*

Rafaela disse...

Outro texto que tem a ver também, do Mário Quintana *-*

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

Anônimo disse...

Sabe o que eu penso?

Que esse personagem existe em cada um de nós, alguma vez, em algum lugar, em alguma época, ele se faz presente.
Acredito que ele tem uma importância tamanha, uma vez que seu único dever é observar.

Quem dera o ser humano observasse mais e falasse menos, quão sábio não seria essa perfeita criatura imperfeita?!.

Acho que os olhos desse homem da cartola presenciaram tantas cenas, tantas histórias, que ainda assim ficaram guardadas com ele, lá dentro de seu coração petrificado. Quem dera essa estátua pudesse falar.

Acho que somos um pouco disso, um pouco desse contraste entre o ser, o não ser e também o estar, porque não?!

Somos parte de um contexto onde tudo tem seu valor e hoje em dia, até uma estátua é valiosa.

Quem dera enxergassemos um pouco mais além do que nossos olhos conseguem ver...quem sabe assim conseguiriamos alçar voos intensos...

Uma estátua...uma simples estátua...

Acho que na verdade a estátua somos nós, que ficamos parados vendo a vida passar através de uma janela...

Guilherme Diogo Rodrigues disse...

Rafa

É verdade, de uma certa forma nos parecemos com ele mesmo!
Espero que você esteja gostando mesmo dos textos e que continue comentando, seus comentarios só vem engradecer o meu blog!

beijos!

Anonimo

Infelizmente esse desejo de enxergar alem do que se ve, se manifesta em poucas pessoas e, muitas ainda continuam a ser as estatuas de sempre!!

abraço!!

Anônimo disse...

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